Como calcular o salário líquido passo a passo
Resposta rápida: salário líquido = salário bruto − INSS − IRRF (e outros descontos, se houver). O INSS sai primeiro, por faixas progressivas; o IRRF incide só depois, sobre o que sobra.
Todo mês surge a mesma dúvida: por que o valor que cai na conta é menor do que o salário combinado no contrato? A diferença entre o salário bruto (o valor cheio, registrado na carteira) e o salário líquido (o que efetivamente entra na sua conta) são os descontos obrigatórios. Neste guia você vai aprender a fazer essa conta do zero, entender cada desconto e conferir se a sua empresa está pagando corretamente.
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O salário bruto é o valor total acordado com o empregador, sem nenhum desconto. É esse número que aparece na carteira de trabalho e no contrato. Já o salário líquido é o que sobra depois que a empresa retira os descontos obrigatórios exigidos por lei — principalmente a contribuição para a Previdência (INSS) e o Imposto de Renda (IRRF).
Em outras palavras: você nunca recebe o salário bruto "na mão". O que chega à conta é sempre o líquido. Entender essa diferença é o primeiro passo para não se assustar quando o valor depositado for menor do que o esperado — e, principalmente, para verificar se o desconto foi feito na medida certa.
Quais descontos saem do salário
Do salário bruto de um trabalhador CLT saem, principalmente, dois descontos obrigatórios: o INSS, a contribuição para a Previdência Social, calculada por faixas progressivas de alíquota, e o IRRF, o Imposto de Renda Retido na Fonte, que incide sobre o que sobra depois do desconto do INSS e de outras deduções.
Além desses dois, podem existir descontos adicionais, que variam de empresa para empresa e conforme a sua situação:
- Vale-transporte: limitado a 6% do salário base.
- Vale-refeição ou alimentação: quando há coparticipação do funcionário.
- Plano de saúde e odontológico: a parcela paga pelo empregado.
- Pensão alimentícia: quando determinada judicialmente.
- Adiantamentos, faltas e atrasos: descontados conforme o caso.
- Contribuição sindical: hoje facultativa, só desconta se autorizada.
Mas o coração do cálculo, o que a maioria das pessoas quer entender, são o INSS e o Imposto de Renda. É neles que vamos focar.
O que NÃO é descontado: o FGTS
Um ponto que confunde muita gente: o FGTS não é descontado do seu salário. Todo mês a empresa deposita o equivalente a 8% do salário em uma conta vinculada na Caixa Econômica Federal — mas esse valor é pago pela empresa, e não retirado do seu bolso. Por isso, o FGTS não reduz o salário líquido. Ele aparece no holerite apenas como informação, na base de cálculo.
Passo a passo do cálculo
O cálculo do salário líquido segue sempre a mesma ordem. Respeitar essa sequência é fundamental, porque o Imposto de Renda depende do valor do INSS.
- Calcule o INSS sobre o salário bruto, aplicando a alíquota de cada faixa apenas sobre a parte do salário que cai dentro daquela faixa (o sistema é progressivo, como uma escada).
- Encontre a base do Imposto de Renda: subtraia do salário bruto o valor do INSS, mais R$ 189,59 por dependente e a pensão alimentícia, se houver.
- Calcule o IRRF aplicando a alíquota da faixa correspondente sobre essa base e subtraindo a parcela a deduzir da tabela.
- Some todos os descontos: INSS + IRRF + outros descontos (vale-transporte, plano de saúde etc.).
- Chegue no líquido: salário bruto menos o total de descontos.
A tabela do INSS (2025)
O INSS é progressivo: cada parte do salário é tributada pela alíquota da sua faixa. Não se aplica uma única alíquota sobre o salário inteiro.
| Faixa salarial | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 1.518,00 | 7,5% |
| De R$ 1.518,01 a R$ 2.793,88 | 9% |
| De R$ 2.793,89 a R$ 4.190,83 | 12% |
| De R$ 4.190,84 a R$ 8.157,41 | 14% |
O teto de contribuição fica em torno de R$ 951,63. Quem ganha acima de R$ 8.157,41 paga sempre esse valor máximo, independentemente do salário.
A tabela do Imposto de Renda (2025)
O IRRF usa a parcela a deduzir para simplificar a conta progressiva: aplica-se a alíquota da faixa sobre a base e subtrai-se a dedução correspondente.
| Base de cálculo | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 2.259,20 | Isento | — |
| De 2.259,21 a 2.826,65 | 7,5% | R$ 169,44 |
| De 2.826,66 a 3.751,05 | 15% | R$ 381,44 |
| De 3.751,06 a 4.664,68 | 22,5% | R$ 662,77 |
| Acima de 4.664,68 | 27,5% | R$ 896,00 |
Exemplo prático 1: salário de R$ 3.000, sem dependentes
Vamos calcular passo a passo o líquido de quem ganha R$ 3.000 de salário bruto:
- INSS: 7,5% sobre R$ 1.518 (R$ 113,85) + 9% sobre a faixa até R$ 2.793,88 (R$ 114,83) + 12% sobre o que exceder R$ 2.793,88 até R$ 3.000 (R$ 24,73). Total: R$ 253,41.
- Base do IR: R$ 3.000,00 − R$ 253,41 = R$ 2.746,59.
- IRRF: essa base cai na faixa de 7,5%: R$ 2.746,59 × 7,5% − R$ 169,44 = R$ 36,55.
- Salário líquido: R$ 3.000,00 − R$ 253,41 − R$ 36,55 = R$ 2.710,04.
Exemplo prático 2: salário de R$ 5.000, com 1 dependente
- INSS: somando as faixas progressivas, o desconto fica em torno de R$ 509,60.
- Base do IR: R$ 5.000 − R$ 509,60 − R$ 189,59 (um dependente) = R$ 4.300,81.
- IRRF: essa base cai na faixa de 22,5%: R$ 4.300,81 × 22,5% − R$ 662,77 ≈ R$ 304,91.
- Salário líquido: aproximadamente R$ 4.185,49.
Repare como o dependente reduz a base do imposto e, consequentemente, o valor pago. Cada dependente abate R$ 189,59 da base de cálculo do IR.
Desconto simplificado x desconto completo
Existe ainda a opção do desconto simplificado no Imposto de Renda: em vez de abater INSS, dependentes e pensão, aplica-se um desconto único fixo de R$ 564,80. A boa notícia é que a lei garante ao trabalhador o menor imposto entre os dois métodos — na prática, o cálculo é feito pelos dois caminhos e vale o que for mais vantajoso. Para salários mais baixos, o simplificado costuma ganhar; para os mais altos, o desconto completo tende a ser melhor.
Erros comuns ao calcular o salário líquido
Cinco deslizes respondem pela maioria das contas erradas:
- ❌ Aplicar a alíquota do INSS sobre todo o salário — ✅ o correto é por faixas: cada parte do salário tem sua alíquota.
- ❌ Esquecer de descontar o INSS antes de calcular o IR — o Imposto de Renda incide sobre a base já reduzida pelo INSS, não sobre o bruto.
- ❌ Ignorar a dedução por dependente — cada dependente reduz R$ 189,59 da base do imposto.
- ❌ Confundir FGTS com desconto — o FGTS não sai do seu salário.
- ❌ Usar tabelas desatualizadas — INSS e IR são reajustados periodicamente; confira sempre os valores do ano vigente.
Como conferir se o seu holerite está certo
Com o cálculo em mãos, conferir o holerite fica simples: compare o salário base com o do seu contrato, verifique os valores de INSS e IRRF usando as tabelas acima (ou a calculadora) e confirme que a conta "proventos menos descontos" resulta no valor líquido depositado. Se encontrar diferença, converse com o RH da empresa com o holerite em mãos — muitas vezes é apenas um desconto que você não conhecia, como plano de saúde ou vale-refeição.
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